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Escrito por «§Þ䆮i¢iä -» às 06:32:04
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Concordo com Caetano Veloso, "de perto ninguém é normal".

Mas "Closer - Perto Demais", de Mike Nichols, me deixou pensando diferente: de perto, somos normais demais.

O filme é uma demonstração tocante de nossas impotências e incompetências sentimentais. Se você quer saber por que, em regra, somos infelizes em amor, não perca.

Para não estragar o prazer de quem não viu o filme, nada de resumo, apenas as reflexões fragmentárias com as quais passei a noite, depois de ter assistido a "Closer - Perto Demais".

1) Por que, no meio de uma história amorosa que funciona, um encontro (que sempre parece mágico) pode levar alguém a trocar a intimidade de um casal companheiro por uma visão?

Os evolucionistas dizem que os homens são infiéis por necessidade biológica. Para que a espécie continue, os machos seriam programados com o desejo de fecundar todas as fêmeas possíveis. A teoria tem uma falha: as mulheres são tão infiéis quanto os homens (embora os homens se recusem a acreditar nessa banalidade). O senso comum tem outra explicação: a paixão iria se apagando com a repetição, os humanos gostariam de novidade. Pequeno problema: a idéia de que a novidade seja um valor
é especificamente moderna; no entanto a inconstância em amor é um hábito antigo. Outro problema ainda maior: na condução de nossas vidas, somos obstinadamente repetitivos. Insistimos nas mesmas fantasias e nos mesmos sintomas. Contrariamente
ao que diz o provérbio, errar é divino, perseverar é humano. Por que seria diferente em matéria amorosa?

Como pode ser que um encontro, em que mal se sabe quem é o outro ou a outra, contenha uma promessa que basta para levar alguém a dar um chute num amor que dura?
Tento responder: apaixonar-se é idealizar o outro, durar no amor é lidar com a realidade do amado ou da amada. Antes de ponderar os charmes da idealização, duas observações.

Um impasse: para manter a paixão, devo continuar idealizando o parceiro. Mas, para idealizar o outro, devo mantê-lo à distância. Se mantenho o outro a distância, renuncio aos prazeres de amor, companheirismo, cumplicidade, convivência.
Um paradoxo: se me separo porque me apaixono por outra ou outro, o parceiro que deixei se distancia de mim, portanto volto a idealizá-lo e a me apaixonar por ele.
2) Por que gostaríamos tanto de idealizar o outro que vislumbramos num novo encontro? Uma nova paixão amorosa é provavelmente o sentimento que mais pode nos transformar, para o bem ou para o mal. Por exemplo, se o outro me idealiza, carrego seu ideal como um casaco novo: modifico minha postura para que o pano caia bem no meu corpo. De uma certa forma, tento me parecer com o ideal que o outro ama em mim.

Cada amor, quando começa, é uma aventura. Não porque encontro um novo parceiro, mas porque, ao me apaixonar, descubro ou invento um novo ideal e, ao ser amado, mudo para me aproximar do que o outro imagina que eu seja.

A inconstância amorosa talvez seja a expressão imediata do desejo de mudar -não de trocar de parceiro, mas de se reinventar.

Não é estranho que, na hora em que um amor começa, alguém decida se dar um novo nome. Nenhuma mentira nisso, apenas a convicção e a esperança de que a paixão nos transforme.

Infelizmente, mudar é difícil: a sedução exercida pelos novos amores é uma veleidade, um pouco como as resoluções de que as coisas serão diferentes no ano que começa.

3) Dizem que um casal que se ama briga muito. O uso erótico das brigas é conhecido: a paz se faz na cama. Menos conhecido é o uso amoroso das brigas: chegar ao limite da ruptura pode ser um jeito de recomeçar, de voltar ao momento inicial da paixão, quando ambos esperavam que o amor os transformasse.

Problema: ninguém sabe qual é o ponto de equilíbrio além do qual as brigas
não garantem renovação nenhuma, apenas desgastam um amor que se perde.

4) Alguém se apaixona por outra pessoa porque, ele se queixa, sua parceira precisa dele. É aquela coisa: seu amor me exige demais, você me sufoca, me prende.
Isso, é claro, é um jeito de dizer: com você sou sempre o mesmo. Também é uma projeção: separo-me porque não agüento minha própria dependência de você.
Visto que me detesto por estar a fim de lhe pedir amor a cada minuto, acho intolerável que você me peça. Quem pensa e age assim, em geral, fica sozinho no fim.

5) Um homem volta para o lar depois de ter estado nos braços de outra. Sua mulher pergunta: você me ama ainda? Ela tem razão, é a única pergunta que importa.
Uma mulher volta para o lar depois de ter estado nos braços de outro. Seu homem pergunta: você esteve com ele? Insiste: quero a verdade. Pede os detalhes: gostou? Gozou? Onde aconteceu, em que posição, quantas vezes?

O ciúme feminino é uma exigência amorosa. O ciúme do homem é uma competição com o outro, um duelo de espadas, uma esgrima homossexual que tem pouco a ver
com o amor pela amada e muito a ver com as excitantes lutinhas masculinas da infância.
Enfim, quem sabe o filme nos ajude a inventar jeitos de amar menos desafortunados e mais interessantes.

CONTARDO CALLIGARIS



Escrito por «§Þ䆮i¢iä -» às 12:19:15
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Você sabe ou você sente?

(Arthur da Távola)

Você já reparou o quanto as pessoas falam dos outros? Falam de tudo.

Da moral, do comportamento, dos sentimentos, das reações, dos medos,

das imperfeições, dos erros, das criancices, ranzinzices, chatices, mesmices,

 grandezas, feitos, espantos.

Sobretudo falam do comportamento.

E falam porque supõem saber. Mas não sabem.

Porque jamais foram capazes de sentir como o outro sente.

Se sentissem não falariam.

Só pode falar da dor de perder um filho, um pai que já perdeu, ou a mãe já

ferida por tal amputação de vida.

Dou esse exemplo extremo porque ele ilustra melhor.

As pessoas falam da reação das outras e do comportamento delas quase

sempre sem jamais terem sentido o que elas sentiram.

Mas sentir o que o outro sente não significa sentir por ele. Isso é masoquismo.

Significa perceber o que ele sente e ser suficientemente forte para ajudá-lo exa-

tamente pela capacidade de não se contaminar com o que o machucou.

Se nos deixarmos contaminar (fecundar?) pelo sentimento que o outro está sentindo,

 como teremos forças para ajudá-lo?

Só quem já foi capaz de sentir os muitos sentimentos do mundo é capaz de saber

algo sobre as outras pessoas e aceitá-las, com tolerância.

Sentir os muitos sentimentos do mundo não é ser uma caixa de sofrimentos.

Isso é ser infeliz.

Sentir os muitos sentimentos do mundo , é abrir-se a qualquer forma de sentimento.

É analisá-los interiormente, deixar todos os sentimentos de que somos dotados fluir sem

 barreiras, sem medos, os maus, os bons, os pérfidos, os sórdidos, os baixos, os elevados,

 os mais puros, os melhores, os santos.

Só quem deixou fluir sem barreiras, medos e defesas todos os próprios sentimentos, pode

 sabê-los, de senti-los no próximo.

Espere florescer a árvore do próprio sentimento.

Vivendo, aceitando as podas da realidade e se possível, fecundando.

A verdade é que só sabemos o que já sentimos.

Podemos intuir, perceber, atinar; podemos até, conhecer.

Mas, saber jamais.

Só se sabe aquilo que já sentiu.



Escrito por «§Þ䆮i¢iä -» às 12:01:05
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Um anjo triste

Que não seja nosso amor um anjo triste,

Que não percamos nosso claro riso,

Que não matemos tudo que é preciso

para lembrar que nosso amor existe!!!

                                

Que não me mandes nunca algum aviso

Que possa me dizer que não persiste

O amor que hoje tanto pede e insiste

Para comigo estar por onde piso.

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Sejam teus passos sempre o meu caminho

Sejam meus olhos todo  o teu carinho,

Seja eu o ser mais doce que já viste!!!

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Sejamos nós espelhos de amor puro,

Sejamos o presente e um só futuro!!!

Que não seja nosso amor um anjo triste!!!

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Escrito por «§Þ䆮i¢iä -» às 13:49:56
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Aprendendo a viver

Existe uma certeza que se renova a cada manhã: vamos aprender muitas coisas!

De uma forma positiva, aprendi que não importa o que aconteça ou quão ruim

pareça o dia de hoje, a vida continua, e amanhã será melhor.

Aprendi que se pode conhecer bem uma pessoa, pela forma como ela lida com

três coisas: um dia chuvoso, uma bagagem perdida e os fios das luzes de uma

árvore de Natal que se embaraçaram.

Aprendi que, não importa o tipo de relacionamento que se tenha com seus

pais, você sentirá falta deles quando partirem.

Aprendi que "saber ganhar" a vida não é a mesma coisa que "saber viver".

Aprendi que a vida, às vezes, nos dá uma segunda chance.

Aprendi que viver não é só receber, é também dar.

Aprendi que se você procurar a felicidade, vai se iludir.

Mas, se focalizar a atenção na família, nos amigos, nas necessidades dos

outros, no trabalho e pr ocurar fazer o melhor, a felicidade vai encontrá-lo

Aprendi que sempre que decido algo com o coração aberto, geralmente acerto.

Aprendi que diariamente preciso alcançar e tocar alguém.

As pessoas gostam de um toque humano, de segurar na mão, de receber um

abraço afetuoso ou simplesmente de um tapinha amigável nas costas.

Aprendi que ainda tenho muito o que aprender.

As pessoas se esquecerão do que você disse...

Esquecerão o que você fez...

Mas nunca esquecerão como você as tratou.

(desconheço o autor)

 

Nós não somos seres humanos em uma jornada espiritual.

Somos seres espirituais em uma jornada humana .

(Stephen R. Covey)



Escrito por «§Þ䆮i¢iä -» às 09:34:12
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